Até pouco mais de dois anos atrás, eu não tinha muitas habilidades de desenho manual (digital ou físico); quando desenhava, era bem próximo de um desenho rascunhado. De repente tive motivos pessoais (espirituais, gnose) que me levaram a quase que uma necessidade de visualizar aquilo que eu estava vendo na minha mente, então num primeiro momento usava IA nessa sede de externalizar e manifestar o mental-espiritual, mas mesmo as mais sofisticadas IAs com as mais detalhadas instruções não atendiam tanto ao rigor da teofania (ou, pra ser mais preciso linguisticamente, deafania).
Como eu já tinha habilidades anteriores de edição profissional de imagens (Photoshop, à época em que eu usava Windows, e depois GIMP no Linux) devido à minha atuação de designer gráfico paralela/atrelada à minha carreira de DevOps (fazia sistemas e sites e ainda criava, de forma proativa, logomarcas, ícones e outros elementos gráficos), fazia a chamada “arte generativa híbrida”, fotoshopando duas ou mais imagens de IA em uma representação final. Também não me era suficiente, meu perfeccionismo gritava dentro de mim “essa parte da imagem tá errada!!”; em algum momento que não me recordo claramente, passei a tentar desenhar de outras formas.
E aqui cito três coisas que foi o que mais me ajudaram a desenvolver e melhorar minhas habilidades de desenho: mass drawing (em oposição ao line drawing), estudos autodidatas em anatomia e (mais recentemente) ornitologia, e hiperfoco.
O jeito que você desenha, e o jeito que eu desenhava no passado, é o chamado line drawing, desenho por contornos e linhas, onde geralmente faz-se o contorno dos elementos da arte com caneta ou lápis grafite pra depois preencher com um lápis de cor. No mass drawing, o desenho já brota da forma preenchida (da área e não do perímetro). No mass drawing, começa-se de uma mancha que vai se expandido até pegar a forma. Aqui vai um exemplo do que estou me referindo que eu mesmo fiz, e tem outros exemplos, alguns com time-lapses, que postei naquele meu perfil de Fediverso.
Já a anatomia (humana e não humana) dá uma base para posicionamento e proporções. No meu exemplo acima, repare como conceitos anatômicos, como a relação entre testa e nariz e eye sockets e zigomático, são forte influência na hora de criar o rosto. Para corpo inteiro, criei o hábito de tentar desenhar o literal esqueleto (ossos) sobre o qual então preencho, noutra camada, o corpo e a pele. Meu estilo gótico e Memento Mori ajuda bastante na memorização e familiarização com esqueletos humanos.
O hiperfoco é, eu diria, a cereja do bolo, essa minha urgência interna de precisar fazer, seguida de uma jornada de horas a fio para o tal fazer.
Rotoscopia, fazer o desenho em cima de uma foto-referência, também é algo que ajuda a desenvolver noção de forma-massa.
Depois que desenvolvi essas habilidades, passei a conseguir desenhar, por conta própria e sem precisar de IAs, muita coisa, embora meu desafio passou a ser perspectiva tridimensional; na esteira desse desafio, atualmente tenho experimentado com modelagem 3D no Blender, que passou a ser meu hiperfoco há cerca de dois meses.
É algo que leva tempo, principalmente se não existir esse hiperfoco de AuTDAH (TDAH com espectro autista) como eu (não diagnosticadamente) tenho mas que certamente é o que me ajudou e tem ajudado a desenvolver habilidades em tempos no geral inconcebíveis (exemplo: de um distante conhecimento superficial em modelagem 3D e CAD, à criação das próprias shape keys em modelos já riggados em menos de dois meses de tentativa-e-erro no Blender) às pessoas neurotípicas.
Ah, e a propósito, a imagem desse meu perfil é um desenho recente que fiz usando essas técnicas acima (principalmente ornitologia pra poder desenhar a Bubo ascalaphus coruja-real-faraó).







!me_irl@lemmy.world When it comes to the speakers, you forgot to add the “doo-dododoo-dododo-dododo-dododooOOOoo”, the old chant that prophesied an impending phone call.